Interessante quando as coisas aparentam seguir uma linha pré-determinada e ligadas entre si. Rolou neste sábado, 23, no Espaço Mundo, a primeira Noite do Coletivo Mundo. Uma noite antes estávamos conversando sobre quais seriam as bandas realmente boas e que valem à pena ir num show em João Pessoa.
Chuva demais, noite úmida, gente de casaco. A preparação foi complicada: pegar instrumentos e montar tudo dá um trabalho enorme, mas saiu tudo nos confirmes e às 22hrs deu-se início à noite das meninas.
A primeira banda, Blue Sheep, já na passagem de som trouxe o frisson. Bandas femininas na noite, com exceção da Lolirock com baterista e baixista do sexo masculino, só mulheres no palco.
Sem muita demora a Blue Sheep começou o show com duas musicas autorais. A banda foi escolhida para ser a primeira da noite por conta das integrantes do grupo: três garotas que não aparentam,jamais, ter mais que 16 anos. No repertório, “Hard meu véi!” Steppenwolf, Jimmy Hendrix, e as garotas se garantem muito. A guitarrista era a pura veia, pulsando “rock and roll style”. As musicas próprias não saem da regra. Banda estigadíssima no palco, com coreografias, as garotas têm uma feminilidade brutal, meigas, mas com aquela cara de “Let`s Rock”. O show acabou com um pedido de bis estupefato de todos que chegaram para ver a primeira da noite.
Subiu na palco Lolirock. Pop rock. Pop soft. Bonito e meigo, mas há exeções, como na musica um Céu pra Você. Riffs melódicos, levadas em alto astral na bateria,combinando com um balanço meio 60`s no baixo. E Ao mesmo tempo muito modernoso. Tudo na banda é bom. Só peca a vocalista. Não que o vocal seja feio ou desafinado, não. É um sei o que de falta de imposição. Faltou tomar o palco de assalto. O que foi regra na noite.
As duas ultimas bandas da noite são muito próximas entre si. Não no estilo, mas nas integrantes: uma faz a vez de roadie quando a outra vai tocar. Fazia algum tempo que não via o show da Bárbara. Quando deu-se início, era força, nervosismo, ou como Second bem definiu, caótico. Arranjos muito bem elaborados nas músicas novas, um ficou na minha cabeça a noite inteira. Durante as primeiras cinco ou seis musicas, rolava uma energia constante, porém no quase meio do show rolou uma desaceleração até natural, eu diria. Manter aquela vibe da trabalho. A mais instigada era a própria batera, quem daria o ritmo a tudo. A banda vale muito a pena de ver.
Fechando a noite que seguiu numa progressão agressiva, Noskill. Tirando a demora em afinar os equipamentos, segundo a guitarrista: “corda velha é foda”. Desde que a banda começou a tocar, até o fim do repertório, a inquietude causada era a mesma. Thuany, a vocalista instigada, tem estilo e sabe por toda a agressão pra fora. Na verdade, da até pra achar que ela está sob efeito de algo à mais que a musica que está cantando. O quê, exatamente, não sei. Ingridy, a baterista, conheço à muito tempo, sempre sei que quando ela está tocando a concentração é a mesma, a vontade de fazer o melhor show da vida dela é a mesma, e isso foi regra na noite de calcinhas do Coletivo Mundo.
As quatro bandas me surpreenderam, uma das noites mais bacanas do Espaço Mundo até então. Com Girls Rock e estigação.


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