segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Aumenta que é Rock - Segunda Noite

Primeira noite do mês de Novembro. 2009 já está logo ali e pode-se dizer que ser pelo menos igual a 2008 já vai ser tampa. Mas a gente espera sempre mais.
A segunda noite de shows do festival Aumenta que é Rock seria da turma do metal e do Hard Core. Me diga ai. Durante o seu dia normal, a semana de corre-corre, você vê muitas pessoas de preto na rua, e mais, com sparks, brincos, maquiagens, furos e mais furos pelo corpo?!
Não né?! Mas coloca uma banda de Metal pra tocar que você vai ver quantos metaleiros existem por ai. E é um público fidelíssimo.
Admito que Metal não é muito minha praia, que nunca havia escutado Torture Squad, nem Mukeka di Rato que é um Hard Core muito escroto. De HC sempre gostei, mas não é o que tenho acompanhado ultimamente, por isso mesmo cheguei no Galpão 14 voando legal no que a noite poderia ser, não fazia a menor idéia.

Quem abriu a noite foi uma banda chamada Mobiê. A primeira musica chamava-se “Regional Agressivo” anunciada com aquele vocal gutural. “OhhhAaaahahahahah”.
E deu início, já de cara, com pouquíssimas pessoas na platéia mas suficientes para um prenuncio de como seria o resto da noite. Pula de lá, empurra de cá, não era bem a polga que conheci com meus 15 anos. Ficar girando e dando cotoveladas nos meus amigos era uma das melhores atividades para mim naquela época, mas a turma que tava assistindo ao Mobiê, pulava, dava cotovelada, pernada, gritava, se esgoelava e batia cabeça. Tudo ao mesmo tempo. Numa mistura de metal-core com Rap, no melhor estilo Pavilhão 9, o Mobiê seguiu seu show. Muito engraçado a hora que o segundo vocalista chegou, no meio da segunda música. Quando acabou de cantar pediu desculpas a galera e escutou um sonoro “Foda-se! Toca aê porra”. Mas o carinho era mutuo. Fãs e artistas se entendem das formas mais variadas.

Thyresis já engrossou mais o caldo. O baixista Victor Hugo Targino quem conduzia as ambiências e nuances nefastas. Mais vocal gutural. Mais pedal duplo. Mesmo pra mim que não sou fã, é um som de empolgar, nervoso demais. Fiquei batendo cabeça moderadamente ali atrás do palco. Metaaaaallll.

As duas bandas seguintes marcaram o momento, digamos assim, light, da noite. Not For Sale e Rótulo. A primeira fez um punk rock moderado, bacaninha. Vocalista “marombado”, altas poses “olha o muque”. Galera simpática, bebendo muita água no camarim. A banda Rótulo fez um Hard-Core muito responsável combinando com as caras de CDF do vocalista e do baterista. Har-Core de “oclinhos”, eu já vi isso por ai.

Depois da Rótulo, não houve mais tempo pra respirar. Sobe no palco a banda Soturnos e começa a se formar a maior atmosfera dark, trash, ME – TAL!
A soturnos toca em casa, sabe quem são aqueles que estão na platéia, mesmo os que vieram de cidades vizinha e não tão vizinhas dentro do estado. Uma horda inteira de Campina Grande gritou as letras dos caras o show inteiro e a sandice, só foi maior para sexta banda da noite.

A Torture Squad tem uma fama enorme no cenário underground do metal. A preparação do palco já foi uma gritaria enorme, que seguiu durante uns 10 min. Até que a luzes apagaram, apenas uma fumaça que soltaram no palco e uma intro que saída pelos auto-falantes. Dada a introdução, o pessoal da banda veio para o palco, com suas calças de couro e os cabelos soltos. Pronto, deu início a um pandemônio que eu nunca havia visto dentro do Galpão 14. Peso na bateria de Amilcar “O homem Máquina” Christófaro, nem se fala na guitarra de Augusto Lopes. A roda a essa altura estava enorme, louca, maluca. Fanáticos da banda cantavam musica por música. Nos intervalos das musicas, eram tantos os gritos que os músicos ficaram surpresos, ou pelo menos demonstraram muita surpresa. Talvez não esperassem tanta loucura na turnê do Nordeste.

Entre a loucura de Torture Squad maluquice que seria o show do Mukeka di Rato, a banda Lethal fez o intervalo. Digo intervalo porque foi um show breve, de 30min a apresentação dos rapazes foi de 20 min.

Entra o Mukeka e um bom pedaço do público do Aumenta já havia ido embora, nem sei que horas eram mais, no agito do Torture meu celular foi pras cucuias. Só sei que o Mukeka subiu no palco com os integrantes devidamente embriagados e sem repertório definido. Sempre perguntando a platéia qual era a próxima música. Bem na veia, o Mukeka tirou o último dos últimos dos fôlegos de quem estava no Galpão.

Quando acabou o show do Mukeka, o dia já começava a raiar, já se ouviam passarinhos cantando. No largo de São Pedro Gonçalves as seqüelas da noite, muitas e muitas latas de cerveja pelo chão, os garis varrendo, um monte de headbanguers deitados na escadaria da igreja, outro monte na parada de ônibus, eu que estava ainda com alguma energia tirada não sei de onde fui comprar cigarro na barraquinha do outro lado da rua.
Respirar fundo, sentir o cheiro do mangue que a maré ta enchendo, e torcer pra que o ano que vem seja igual a esse mês que passou louco ensandecido, energético e cheio de rock.

Aumenta que é Rock - Primeira Noite

Outubro foi o mês do rock em João Pessoa. No meio do meio do mês já aconteceu o festival Mundo, que eu já contei a história. Na noite do dia 31 começou o festival Aumenta que é Rock, já entrando em novembro. O Aumenta foi realizado no Galpão 14, mesmo lugar em que foi realizado o Mundo. Só que o Aumenta é organizado pelos donos da casa. O Mundo e o Aumenta são os dois festivais da cidade, que apesar de acontecerem no mesmo local tem estruturas diferenciadas, no que diz respeito a organização. Pra mim, é ótimo, trabalhei nos dois festivais conheci todas as bandas que não eram do estado e ganhei um monte de CD “0800”. É muito boa essa vida, o cara rala pra caramba, mas no final do mês ta com uma playlist fresquinha pra escutar.

Na primeira noite do Aumenta que é Rock, largo de São Pedro Gonçalves, lotado, logo cedo. Mas pouca gente quis entrar pra conferir as primeiras bandas. A banda Cerva Grátis para abrir. Quem ler o texto sobre o festival Mundo, pode conferir que eles igualmente abriram o show da segunda noite. Começaram a noite no Aumenta com um “boa noite, nós somos o Cerva Grátis. Uma Banda de Primeira. Os Abridores oficiais das noites de festivais em João Pessoa”. Bom, deve ser por isso que os caras tocaram nos dois festivais da cidade. Bom humor, sempre. Estão lá os três e o famoso Isopor da Cerva, de tempos em tempos voando uma latinha pra platéia. Mandaram bem no rock e mandaram também um abraço pra mãe de André Duende que estava lá, entre o público fiel deles que, reduzido, mas contagiante vibrou do começa ao fim do show.

A segunda banda da noite do Aumenta? Malaquias em Perigo. Algum tempo atrás quando eu ainda tinha uma banda, queria demais dividir palco com a Malaquias porque sempre soube que aquela energia de palco ficaria vibrando até a noite terminar. E foi exatamente o que aconteceu. A Malaquias subiu no palco e demorou um pouquinho pra ajustar os pedais, fora isso, o show não foi interrompido por nada, e não havia o que pudesse parar com Diego Second no comando. O mínimo de tempo que havia entre uma música e outra eram preenchidos pelos gritos das grupies do baixista Biu Neto. Tocar em casa pra galera da gente é muito bom né?! O Malaquias mandou seu repertório de músicas próprias e alguns poucos covers, com tanta força e energia que quando acabou o show o público já estava preparadíssimo e com todo o gás para agüentar a noite. Não falei?! A energia dos caras fica vibrado no ar.

De Campina Grande veio a banda Hi Jack, potente, achei a banda um pouco pop demais da conta. Mas sempre que estava me certificando disso, surgia um peso de não sei onde que me fazia estigar novamente. Talvez fosse os solos virtuosos demais num som pop, ou talvez fosse a energia do Malaquias em Perigo que ainda estava no ar e eu queria mais. Acabou o show e em minha opinião foi bom. Empolgado, mas simples demais, nada que me visses dizer “Uau” ou algo do tipo.

No caso da Vênus Volts que veio logo em seguida houve muito “Uaus”, um atrás do outro. A banda com certeza foi a diferença da noite, em cima e em baixo do palco. Das bandas que vem em João Pessoa, todas são muito bem tratadas, mas só as especiais mesmo ganham um convite para o “churraleto” da galera do Cerva Grátis. Eles ganharam e teriam ganhado mais, se não tivessem de viajar logo pra tocar em Natal – RN. No camarim, no meio da galera, depois da noite inteira de show a Vênus Volts ainda estava por lá, se divertindo e conversando com todo mundo. O batera Du, tava que era uma alegria só, dançando e puxando conversa com todo mundo: “Ô meu! To Larrrrgado!”. No palco a banda reflete a simpatia. No Myspace dos caras tem “You don't know yet, but you gonna love us”, pois a coisa é realmente contagiante assim. A presença de palco de Trinity é impressionante, batera com power click, p/ não perder a batida, todas as linhas muito bem construídas. O vocal de André Pelle faz o balanço completo com a voz de Trinity. Tudo na banda casa bem demais com a idéia. O baixo marcante acompanhando a bateria. Demais, demais, demais. Em uma breve conversa com André após o show, descobri de onde vem as influencias, tudo galgado no som grunge dos 90, um pouco de U2, coisa só da boa, finíssima. Das musicas que consegui fichar na mente filando do set list, destaquei “Paper Boards” e “In Gold We Trust”. Não dança quem não quer. Não pula quem não quer.

Continuando a vibração da noite, entrou no palco a AMP. Notei a presença de Marcelo Gomão, guitarrista e vocalista da Vamoz. Parei para cumprimenta-lo e ele:“ E ai cara!, to aqui acompanhado a galera da AMP que é amigo da gente”. Pensei comigo: “Se esses caras são do time da Vamoz, lá vem porrada”. Não deu outra. Essa galera de Hellcife não brinca. Foi um Rock Noise do início ao fim, sem muito blá blá blá. O palco do Galpão 14 parecia que iria explodir, de tanta energia e força que os caras colocavam na hora de tocar. Punsh um atrás do outro. Fiquei suado só de assistir sentado, quem tava na multidão ou olhava com cara de surpresa ou com cara de fúria, sentindo cada riff como se atacasse a carne. “Yeahhhh caras, a AMP é Rock”.

Não houve muita espera pra ver a sétima banda entrar no palco e começar a mandar V. foi a vez da Black Drawing Chalks de GO. Chegaram com suas botas e no melhor estilo Hard Rock que há. Foi tudo muito rápido. Da saída da AMP pra entrada dos caras então quem tava no pique já continuou dali, emendando.

Sexta e penúltima banda da noite, a revelação paraibana destaque do M.A.D.A., Sem Horas. Muita fumaça, um suspense, até que a apresentação da banda feita por Eliseu Lins – um dos organizadores do festival – fez sentido. “Eles resolverão assumir suas identidades”. Subiram vestidos de belas senhoras, vestidinhos de babado, (com exceção de Cobal vestido de cafetão) e fizeram o rockabilly baião, estilo Mutantes. Dançaram desengonçados em seus calçados femininos.

Pra fechar a primeira noite do Aumenta que é Rock. A MTVística Forgotten Boys. Menininhas afobadas, empolgadas, felizes da vida por que o Chuck tava ali, em seu jeans justinho. Que lindo!

Eu já estava morto de cansado, de tanto subir e descer do palco, que não prestei muita atenção aos detalhes do show. Fiquei por ali sentado tomando uma cerveja enquanto eles cantavam “Ela foi e você ficou”. Chuvinha leve pra fechar a noite. Acabou o show dos Forgotten e logo que pude fui pra casa pra descansar porque eu sabia que a segunda noite do Aumenta seria pra matar. Era noite do Metal com Torture Squade e eu juro que nunca vi tamanha loucura dentro do Galpão 14.