quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Burro Morto no desfile da Furta Cor
Com o tema de Moda Mundi, a Furta Cor apresentou um catálogo com várias imagens que remetiam a PAisagens Globais. Não sei se foi no Brasil todo mas aqui em João Pessoa, o catálogo foi todo elaborado por artístas locais.
Ao chegar no restaurante Sagarana, senti que a noite seria chiequetosa. Ambiente bem decorado na praia no Cabo Branco, almofadas na grama, mas eu tava ali mesmo porque a banda Burro Morto iria tocar. Não sou muito entendido desse mundo da moda, mas sei que o normal é ter um DJ lá mandando samplers e remixagens no melhor estilo "tum-txi-tum-txi-tum". Dessa vez, o que vi fpoi diferente.
Para dar o clima a direção da Furta Cor local contratou os rapazes da Burro Moro para dar todo o clima da passarela.
Vou te contar, não poderia ser melhor.
O resultado foi uma platéia que filtrou as influencias estilisticas da Furta Cor pelos olhos, ouvidos e poros. o Ambiente estava todo voltado para aquilo.
A galera da Burro Morto como sempre impecável. Souberam como associar o estilo de som que eles fazem com a proposta da coleção. Nada mais "MUndi" do que o som da Burro Morto.
O resultado foi o desfile mais bacana que tive a oportunidade de ver. Minha época de querer roupas ripongas, desbotadas e descoladas já passou, mas pra quem curte, pode apostar, vai comprar pensnado naquele groove que ouviu no desfile.
Ta de parabéns a Furta Cor João Pessoa que resolveu reconhecer os artístas da terrinha na hora de lançar por aqui!
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Festival Mundo 2008 - Segunda Noite
Por volta das 20h00min horas, foi dada a partida. Pra festa de quem havia chegado cedo, a banda fez jus ao nome e sacou de dentro de uma caixa de isopor latas e mais latas de certa cerva dita redonda. Ótimo! Boa noite dado, a banda Cerva Grátis desceu seu repertório de rock escrachado e simples. Como um power trio a banda tem que manter a estiga e eu nunca vi uma banda ser tão celebrada em um início de show. O repertório composto por algumas poucas covers, mas em maioria de musicas próprias gravadas em seu primeiro EP. Não sei se o grito de “mais uma”se referia ao show dos caras em si, ou a mais uma cerveja grátis que poderia sair de dentro daquela caixa. Fato é que eles mandaram vê saíram do palco ovacionados. A banda Cerva Grátis desde um bom tempo antes já fazia uma divulgação de seu show no festival Mundo da forma mais criativa que já vi, convidando todos os ébrios que são fãs da banda a comparecer e abrir o bar do festival. Pra mim, a prova de que o rock etílico não necessariamente tem que ser feito de porra louquisse.
A segunda banda a povoar o palco foi abanda Elmo. Hardcooooooooore. Juninho, já chegou clamado todo mundo do Mundo. “Vamo pular aê porra!!!”. Posso dizer que foi o momento mais barulhento da noite, no melhor sentido da palavra. Hardcore todo mundo sabe como é, mas não há quem goste de rock que não se empolgue com o “tu-pa-tu-pa-tupa” constante. É fato que muita gente que chegou para abrir o bar com o pessoal do Cerva, saiu e deixou de ver a fúria da Elmo, mas isso foi uma constante na noite, nunca entendi quem paga a entrada de um show e logo sai pra tomar uma cerveja lá fora, ou pra conversar nada com ninguém importante. Bom, cada um, cada um. Eu estava lá e vi que a Elmo deu todo o gás que pode.
No fim do show da Elmo, coincidência ou não choveu antes do show da Nublado. Acho que o tempo colaborou com o clima do show. Decorado na minha mente só havia três musicas, lançadas no EP de estréia da banda, mas o som é familiar, não difícil você se pega imaginando que aquela musica poderia ser a trilha sonora perfeita para algum momento da sua vida, em letra e em som. Eu costumo chamar de som Alternativo o que a nublado faz, porém esse lance de rótulo em si é inútil, se eu pudesse dar outra definição... musicas para escutar no início daquela noite em que você sai de casa para encontrar as pessoas mais queridas da sua vida. Quem costuma separar as bandas por sentimentos sabe do que eu estou falando. Insônia foi o ápice, que fiquei cantarolando enquanto recebia o pessoal das bandas que chegavam. Louco para estar lá na frente do palco acompanhando de pertinho. Mas vá lá, o festival tem que andar e alguém tem que trabalhar.
Galpão lotado, entra-e-sai na bilheteria e eu fiquei preso e perdi o início da banda O Garfo do CE. Mas de longe consegui captar a batida dance, quando tive tempo para chegar mais perto do palco, gostei da imagem do guitarrista, cigarrão na boca, garrafa de Vodca pra lubrificar. Direto, simples. Batida constante. Em resumo é um som legal, daqueles que você acompanha com o pé.
Tive de deixar o pessoal do Garfo no hotel e perdi a apresentação do Sweet Fanny Adams. Cheguei apenas no final pra ver a confusão que houve na ultima musica, um bêbado caiu por cima do batera derrubou meio mundo de equipamento e eu não consegui nem entender nem descobrir como diabos ele subiu no palco e nem o porque da confusão.
Na sexta banda da noite reparei em um fato inusitado, houve uma divisão no público da noite. Boa parte saiu quando iria começar a banda Burro Morto, ao mesmo tempo em que muita gente entrou no Galpão só pra ver os caras e a Cabruêra que viria na seqüência. Dos que ficaram pra assistir a apresentação, muitos admirados, uma cara atrás de mim comentou com um amigo: “Puta merda, não conhecia essa banda não. É daqui?! Que som da Porra”. Entre outros comentários que ouvi, sempre com muita admiração. Por já conhecer o som do Burro Morto, deixei um pouco de lado crítico e exerci meu lado fã. Dancei e vibrei, não há como ficar parado quando o Burro Morto toca. Engraçadíssimo o comentário de um cara que ouvi no fim do show: “Meu irmão, depois que o burro ta morto, em casa de corno a gente dança é nu!!!”.
Pra encerrar a noite Cabruêra, tocando em casa consagrada pelo público da sua terra. Fizeram o som regional de sempre. Embolada, batucada, swingado e gostoso som de sempre. Encerraram com uma musica inédita que sairá em breve no novo disco pra alegria de quem chegou ao fim do segundo dia de show do festival mundo. Pra lavar, e encerrar bem.
Muito trabalho, poucas horas de sono. Fui pra casa porque ali o serviço já havia acabado e foi muito bem feito. Obrigado.
Festival Mundo 2008 - Primeira Noite
Para abrir a noite, a banda Outona. Com pouquíssimo tempo de divulgação e uma demo muito bem divulgada na internet, pra muita gente foi uma surpresa a escalação dessa banda para o festival. Eles já haviam mostrado um material muito bem gravado, através da internet, e já haviam tocado na cidade, o show no festival Mundo foi só a prova de que a Outona tem trabalhado muito para mostrar um som de qualidade. Mesmo com o publico reduzido (mal de ser a primeira banda) quem viu, conseguiu vibrar e acompanhar a banda.
Para a terceira banda descem três do palco e sobem dois, é a Calistoga que tem dois componentes que também fazem parte da Camarones. Mas a idéia ali contida, já é outra. Dante pega muito mais firme quando se trata da Calistoga. Uma pancada atrás da outra, eles misturam toda a influencia que eles claramente trazem de At The Drive-In. Gritos se misturam com nuances belíssimas na guitarra. Comprei imediatamente o CD dos caras, pra saber se a estiga em estúdio seria a mesma, após escutar em casa descobri que a energia é a mesma. São quatro caras descendo as palhetas e baquetadas pra todo mundo que tava na platéia ficar alucinada. Fiquei ainda matutando se iria elogiar ou não a cover de At the Dirve-In, porque cover eu meio que viro a cara em um festival, mas va lá. Não é qualquer banda que tira uma cover da pré Mars Volta sem titubear, ficou impressionantemente boa. Gritei horrores.
Um pouco de demora para entrar a quarta banda da noite, mas tudo bem o festival tinha um telão armado na área do bar, para a mostra áudio-visual. Documentários sobre a cena de João Pessoa na década de 90 foram o ponto máximo para mim. Muito moleque que nem sabia o que era aquilo de boca aberta assistindo a sessão. O Mundo se encarregou de entreter o pessoal com muita boa informação entre uma banda e outra.
Sobe no Palco a Star 61. Eu sabia que havia muita expectativa ha cerca do Show do Cabaré, porque o show deles é muito elogiada lá fora. Mas dentro de mim eu pensava: “A crítica ainda não conhece a fundo o nosso Flaviano”. Na frente do Star 61 ele pinta e borda, dança, se esgoela, pega a guitarra e da tudo de si numa performance “Bowieniana”. Foi difícil para Marvel se agüentar dentro do camarim, aquilo era quase uma provocação. De tão provocado o rapaz saiu e foi ter com o Flaviano, e os dois em cima no palco se casaram, com direito a beijo dado por Flaviano em Marvel. A apresentação conjunta rendeu o delírio do público que pediu “Tra-tra-tra” e Flaviano solícito deu. E Deu um strip na parede, distribuiu beijos pela platéia, subiu de volta no palco pra se acabar de vez. Sem dúvidas foi o ápice para o público e deixou o Cabaré na situação de ter de transformar o Galpão 14 em um verdadeiro puteiro, já que o puto (no melhor sentindo da palavra) do Flaviano já havia deixado aquilo tudo um cabaré muito maior do que poderia se imaginar. Não é por nada não, mas nós temos a figura mais escrachada do rock nacional e ele nos ama e nos o amamos e não há nada que apague esse fogo. Nem mesmo Guaraná gelado.
Então, que venha a Cabaré. A penúltima banda da primeira noite do festival Mundo, tinha a difícil missão de manter o gás do público as 01h30min da madruga depois do show do Star 61. A missão era difícil em minha opinião, mas os caras subiram com toda a força que havia pra dar. O Marvel tem uma voz potente, um estilo forte, e muita presença dentro e fora do palco também, pois ele desceu e também abraçou todo mundo que podia. E a banda inteira acompanha, além de ter um lado sexy, provocante, indiferente as opiniões, totalmente Glam, com plumas, cachecóis, calças e camisas tiradas da era disco, para um rock direto e muito belo. Com a participação de Carolina Morena, uma das organizadoras do festival, Marvel cantando o refrão, “dentro de você nada melhor do que eu”, muito boa a musica, a performance e o profissionalismo dos caras. Ainda participou do show da Cabaré Flaviano do Star 61, devolvendo os momentos belos que Marvel lhe proporcionou, além de uma dúzia de posições sexuais, devidamente não ensaiadas e feitas da forma mais escrachada possível.
Já eram 2:40 da manhã quando entrou no palco a Macaco Bong, a sexta e mais esperada por mim daquela primeira noite. Nos primeiros riffs já coloquei minha orelha em pé, sabia que era instrumental e por isso mesmo fiz questão de não ouvir nada deles antes do show, ainda cheguei a escutar uma ou duas coisas, mas queria mesmo era sentir a vibe do ao vivo, pra saber se me convencia. Se convenceu?! Foi uma das melhores bandas que já vi e ouvi ao vivo, foi simplesmente uma coletânea dos momentos instrumentais das melhores bandas que já escutei na vida. Tinha uma pegada alternativa, melódica, pesada e certas vezes contrastando com as melodias leves e suaves que o Macaco Bong consegue mesclar.Não o que se falar de letras, pois não existem, mas as melodias foram poesias para mim. Não to falando de musica erudita não, nem de musica clássica. A Macaco Bong é simplesmente a banda instrumental de rock mais despretensiosa que já ouvi, e talvez por isso mesmo a mais simples. É justamente o sentimento e que menos é mais. Não consegui contar quantas notas por segundo Bruno Kayapy conseguia tocar, mesmo porque não eram muitas, ao mesmo tempo em que não consegui contar quantas melodias e sons pude perceber e despertar em minha mente no show da MacacoBong, mesmo porque eram inúmeras.
Eu sabia que não seria um show para muitos, não é todo mundo que consegue acompanhar musica instrumental, ainda mais quase as 04h00min da manhã, mas com certeza me senti um privilegiado por ter permanecido até o final. Quem não ficou perdeu a possibilidade de sentir o que senti ao chegar em casa com o dia raiando e ainda escutando melodias incríveis que ficaram na minha mente após o show do Macaco Bong.
Deitei e dormi, pois já era a manhã do segundo dia de festival Mundo, e ainda haveria debates, oficina e sete bandas para por pra movimentar.
