segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Aumenta que é Rock - Primeira Noite

Outubro foi o mês do rock em João Pessoa. No meio do meio do mês já aconteceu o festival Mundo, que eu já contei a história. Na noite do dia 31 começou o festival Aumenta que é Rock, já entrando em novembro. O Aumenta foi realizado no Galpão 14, mesmo lugar em que foi realizado o Mundo. Só que o Aumenta é organizado pelos donos da casa. O Mundo e o Aumenta são os dois festivais da cidade, que apesar de acontecerem no mesmo local tem estruturas diferenciadas, no que diz respeito a organização. Pra mim, é ótimo, trabalhei nos dois festivais conheci todas as bandas que não eram do estado e ganhei um monte de CD “0800”. É muito boa essa vida, o cara rala pra caramba, mas no final do mês ta com uma playlist fresquinha pra escutar.

Na primeira noite do Aumenta que é Rock, largo de São Pedro Gonçalves, lotado, logo cedo. Mas pouca gente quis entrar pra conferir as primeiras bandas. A banda Cerva Grátis para abrir. Quem ler o texto sobre o festival Mundo, pode conferir que eles igualmente abriram o show da segunda noite. Começaram a noite no Aumenta com um “boa noite, nós somos o Cerva Grátis. Uma Banda de Primeira. Os Abridores oficiais das noites de festivais em João Pessoa”. Bom, deve ser por isso que os caras tocaram nos dois festivais da cidade. Bom humor, sempre. Estão lá os três e o famoso Isopor da Cerva, de tempos em tempos voando uma latinha pra platéia. Mandaram bem no rock e mandaram também um abraço pra mãe de André Duende que estava lá, entre o público fiel deles que, reduzido, mas contagiante vibrou do começa ao fim do show.

A segunda banda da noite do Aumenta? Malaquias em Perigo. Algum tempo atrás quando eu ainda tinha uma banda, queria demais dividir palco com a Malaquias porque sempre soube que aquela energia de palco ficaria vibrando até a noite terminar. E foi exatamente o que aconteceu. A Malaquias subiu no palco e demorou um pouquinho pra ajustar os pedais, fora isso, o show não foi interrompido por nada, e não havia o que pudesse parar com Diego Second no comando. O mínimo de tempo que havia entre uma música e outra eram preenchidos pelos gritos das grupies do baixista Biu Neto. Tocar em casa pra galera da gente é muito bom né?! O Malaquias mandou seu repertório de músicas próprias e alguns poucos covers, com tanta força e energia que quando acabou o show o público já estava preparadíssimo e com todo o gás para agüentar a noite. Não falei?! A energia dos caras fica vibrado no ar.

De Campina Grande veio a banda Hi Jack, potente, achei a banda um pouco pop demais da conta. Mas sempre que estava me certificando disso, surgia um peso de não sei onde que me fazia estigar novamente. Talvez fosse os solos virtuosos demais num som pop, ou talvez fosse a energia do Malaquias em Perigo que ainda estava no ar e eu queria mais. Acabou o show e em minha opinião foi bom. Empolgado, mas simples demais, nada que me visses dizer “Uau” ou algo do tipo.

No caso da Vênus Volts que veio logo em seguida houve muito “Uaus”, um atrás do outro. A banda com certeza foi a diferença da noite, em cima e em baixo do palco. Das bandas que vem em João Pessoa, todas são muito bem tratadas, mas só as especiais mesmo ganham um convite para o “churraleto” da galera do Cerva Grátis. Eles ganharam e teriam ganhado mais, se não tivessem de viajar logo pra tocar em Natal – RN. No camarim, no meio da galera, depois da noite inteira de show a Vênus Volts ainda estava por lá, se divertindo e conversando com todo mundo. O batera Du, tava que era uma alegria só, dançando e puxando conversa com todo mundo: “Ô meu! To Larrrrgado!”. No palco a banda reflete a simpatia. No Myspace dos caras tem “You don't know yet, but you gonna love us”, pois a coisa é realmente contagiante assim. A presença de palco de Trinity é impressionante, batera com power click, p/ não perder a batida, todas as linhas muito bem construídas. O vocal de André Pelle faz o balanço completo com a voz de Trinity. Tudo na banda casa bem demais com a idéia. O baixo marcante acompanhando a bateria. Demais, demais, demais. Em uma breve conversa com André após o show, descobri de onde vem as influencias, tudo galgado no som grunge dos 90, um pouco de U2, coisa só da boa, finíssima. Das musicas que consegui fichar na mente filando do set list, destaquei “Paper Boards” e “In Gold We Trust”. Não dança quem não quer. Não pula quem não quer.

Continuando a vibração da noite, entrou no palco a AMP. Notei a presença de Marcelo Gomão, guitarrista e vocalista da Vamoz. Parei para cumprimenta-lo e ele:“ E ai cara!, to aqui acompanhado a galera da AMP que é amigo da gente”. Pensei comigo: “Se esses caras são do time da Vamoz, lá vem porrada”. Não deu outra. Essa galera de Hellcife não brinca. Foi um Rock Noise do início ao fim, sem muito blá blá blá. O palco do Galpão 14 parecia que iria explodir, de tanta energia e força que os caras colocavam na hora de tocar. Punsh um atrás do outro. Fiquei suado só de assistir sentado, quem tava na multidão ou olhava com cara de surpresa ou com cara de fúria, sentindo cada riff como se atacasse a carne. “Yeahhhh caras, a AMP é Rock”.

Não houve muita espera pra ver a sétima banda entrar no palco e começar a mandar V. foi a vez da Black Drawing Chalks de GO. Chegaram com suas botas e no melhor estilo Hard Rock que há. Foi tudo muito rápido. Da saída da AMP pra entrada dos caras então quem tava no pique já continuou dali, emendando.

Sexta e penúltima banda da noite, a revelação paraibana destaque do M.A.D.A., Sem Horas. Muita fumaça, um suspense, até que a apresentação da banda feita por Eliseu Lins – um dos organizadores do festival – fez sentido. “Eles resolverão assumir suas identidades”. Subiram vestidos de belas senhoras, vestidinhos de babado, (com exceção de Cobal vestido de cafetão) e fizeram o rockabilly baião, estilo Mutantes. Dançaram desengonçados em seus calçados femininos.

Pra fechar a primeira noite do Aumenta que é Rock. A MTVística Forgotten Boys. Menininhas afobadas, empolgadas, felizes da vida por que o Chuck tava ali, em seu jeans justinho. Que lindo!

Eu já estava morto de cansado, de tanto subir e descer do palco, que não prestei muita atenção aos detalhes do show. Fiquei por ali sentado tomando uma cerveja enquanto eles cantavam “Ela foi e você ficou”. Chuvinha leve pra fechar a noite. Acabou o show dos Forgotten e logo que pude fui pra casa pra descansar porque eu sabia que a segunda noite do Aumenta seria pra matar. Era noite do Metal com Torture Squade e eu juro que nunca vi tamanha loucura dentro do Galpão 14.

1 comentários:

Paula disse...

Também adorei a descrição pormenorizada de cada banda que você fez. Ficou muito bom mesmo. Quase dá pra me transportar para lá de novo. Que pena que só assisti o primeiro dia. :/