Para abrir a noite, a banda Outona. Com pouquíssimo tempo de divulgação e uma demo muito bem divulgada na internet, pra muita gente foi uma surpresa a escalação dessa banda para o festival. Eles já haviam mostrado um material muito bem gravado, através da internet, e já haviam tocado na cidade, o show no festival Mundo foi só a prova de que a Outona tem trabalhado muito para mostrar um som de qualidade. Mesmo com o publico reduzido (mal de ser a primeira banda) quem viu, conseguiu vibrar e acompanhar a banda.
Para a terceira banda descem três do palco e sobem dois, é a Calistoga que tem dois componentes que também fazem parte da Camarones. Mas a idéia ali contida, já é outra. Dante pega muito mais firme quando se trata da Calistoga. Uma pancada atrás da outra, eles misturam toda a influencia que eles claramente trazem de At The Drive-In. Gritos se misturam com nuances belíssimas na guitarra. Comprei imediatamente o CD dos caras, pra saber se a estiga em estúdio seria a mesma, após escutar em casa descobri que a energia é a mesma. São quatro caras descendo as palhetas e baquetadas pra todo mundo que tava na platéia ficar alucinada. Fiquei ainda matutando se iria elogiar ou não a cover de At the Dirve-In, porque cover eu meio que viro a cara em um festival, mas va lá. Não é qualquer banda que tira uma cover da pré Mars Volta sem titubear, ficou impressionantemente boa. Gritei horrores.
Um pouco de demora para entrar a quarta banda da noite, mas tudo bem o festival tinha um telão armado na área do bar, para a mostra áudio-visual. Documentários sobre a cena de João Pessoa na década de 90 foram o ponto máximo para mim. Muito moleque que nem sabia o que era aquilo de boca aberta assistindo a sessão. O Mundo se encarregou de entreter o pessoal com muita boa informação entre uma banda e outra.
Sobe no Palco a Star 61. Eu sabia que havia muita expectativa ha cerca do Show do Cabaré, porque o show deles é muito elogiada lá fora. Mas dentro de mim eu pensava: “A crítica ainda não conhece a fundo o nosso Flaviano”. Na frente do Star 61 ele pinta e borda, dança, se esgoela, pega a guitarra e da tudo de si numa performance “Bowieniana”. Foi difícil para Marvel se agüentar dentro do camarim, aquilo era quase uma provocação. De tão provocado o rapaz saiu e foi ter com o Flaviano, e os dois em cima no palco se casaram, com direito a beijo dado por Flaviano em Marvel. A apresentação conjunta rendeu o delírio do público que pediu “Tra-tra-tra” e Flaviano solícito deu. E Deu um strip na parede, distribuiu beijos pela platéia, subiu de volta no palco pra se acabar de vez. Sem dúvidas foi o ápice para o público e deixou o Cabaré na situação de ter de transformar o Galpão 14 em um verdadeiro puteiro, já que o puto (no melhor sentindo da palavra) do Flaviano já havia deixado aquilo tudo um cabaré muito maior do que poderia se imaginar. Não é por nada não, mas nós temos a figura mais escrachada do rock nacional e ele nos ama e nos o amamos e não há nada que apague esse fogo. Nem mesmo Guaraná gelado.
Então, que venha a Cabaré. A penúltima banda da primeira noite do festival Mundo, tinha a difícil missão de manter o gás do público as 01h30min da madruga depois do show do Star 61. A missão era difícil em minha opinião, mas os caras subiram com toda a força que havia pra dar. O Marvel tem uma voz potente, um estilo forte, e muita presença dentro e fora do palco também, pois ele desceu e também abraçou todo mundo que podia. E a banda inteira acompanha, além de ter um lado sexy, provocante, indiferente as opiniões, totalmente Glam, com plumas, cachecóis, calças e camisas tiradas da era disco, para um rock direto e muito belo. Com a participação de Carolina Morena, uma das organizadoras do festival, Marvel cantando o refrão, “dentro de você nada melhor do que eu”, muito boa a musica, a performance e o profissionalismo dos caras. Ainda participou do show da Cabaré Flaviano do Star 61, devolvendo os momentos belos que Marvel lhe proporcionou, além de uma dúzia de posições sexuais, devidamente não ensaiadas e feitas da forma mais escrachada possível.
Já eram 2:40 da manhã quando entrou no palco a Macaco Bong, a sexta e mais esperada por mim daquela primeira noite. Nos primeiros riffs já coloquei minha orelha em pé, sabia que era instrumental e por isso mesmo fiz questão de não ouvir nada deles antes do show, ainda cheguei a escutar uma ou duas coisas, mas queria mesmo era sentir a vibe do ao vivo, pra saber se me convencia. Se convenceu?! Foi uma das melhores bandas que já vi e ouvi ao vivo, foi simplesmente uma coletânea dos momentos instrumentais das melhores bandas que já escutei na vida. Tinha uma pegada alternativa, melódica, pesada e certas vezes contrastando com as melodias leves e suaves que o Macaco Bong consegue mesclar.Não o que se falar de letras, pois não existem, mas as melodias foram poesias para mim. Não to falando de musica erudita não, nem de musica clássica. A Macaco Bong é simplesmente a banda instrumental de rock mais despretensiosa que já ouvi, e talvez por isso mesmo a mais simples. É justamente o sentimento e que menos é mais. Não consegui contar quantas notas por segundo Bruno Kayapy conseguia tocar, mesmo porque não eram muitas, ao mesmo tempo em que não consegui contar quantas melodias e sons pude perceber e despertar em minha mente no show da MacacoBong, mesmo porque eram inúmeras.
Eu sabia que não seria um show para muitos, não é todo mundo que consegue acompanhar musica instrumental, ainda mais quase as 04h00min da manhã, mas com certeza me senti um privilegiado por ter permanecido até o final. Quem não ficou perdeu a possibilidade de sentir o que senti ao chegar em casa com o dia raiando e ainda escutando melodias incríveis que ficaram na minha mente após o show do Macaco Bong.
Deitei e dormi, pois já era a manhã do segundo dia de festival Mundo, e ainda haveria debates, oficina e sete bandas para por pra movimentar.

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