Poetas do Absurdo
***Dei um tempo, acendi um cigarro enquanto observava uma figura com um chapéu estilo Crocodilo Dundee subir no palco, passagem de som muito rápida, tudo pronto, rock direto. Era o Rockfellers, fiquei impressionado com a capacidade do vocalista e guitarrista Lukão Rockfeller em executar riffs venenosos, enquanto cantava suas musicas em inglês. Um baixo solante que certas vezes deixava a platéia perceber uma falta, como se houvesse vaga para mais uma guitarra ali. Mas o som é bom e de competência. Algo que me lembrou muito The Hellacopters.
***Perambulando antes de começara aproxima atração, reparei como o galpão lotou de repente. Nossa!!! Como havia figuras interessantes por ali, um punk de cachimbo, um poeta na sinuca, um pastor evangélico discutindo teologia comigo. A fauna dos roqueiros pessoenses é muito diversificada, porém escassa. Tive uma leve impressão que na edição passada do festival havia mais pessoas, naquele lugar.
Rockefellers

Lukão Rockfeller e seu visual autraliano
Figuras da noite no Galpão 14
***Entra o Scary Monsters, mandando o seu som, galgado em influencias glam, hard, punk e pós-punk. Letras em inglês. Com tanto inglês pensei ser a noite “internacional” do evento. Os Scary monsters encerraram a apresentação um pouco antes do que esperavam, o cronômetro não pode parar, uma pena, mas isso acontece mesmo em festivais. Afinal logo após iria entrar o Zeferina Bomba e tava todo mundo a fim de ver.
***Lá vai Ilsom mandando guitarradas na viola elétrica. O publico ficou maluco, gente gritando e pulando era pouco, resolveram subir no palco, o que deixou a produção maluca com os pisões nos cabos
dos retornos. Mandaram logo dois seguranças pra pôr moral na casa, ai foi que ficou interessante, a banda lá mandando ver e a galera querendo ver e tendo que olha na cara de dois brucutus de preto querendo estragar a festa.
-Libera o Mosh P**%$&@@@@.
***Ilson logo interveio e pediu para liberarem o pulo, desde que ninguém pisasse nos cabos. Ai foi lindo, o maluco subia, fazia carreira, dava um pulinho no meio do caminho e ia pra galera. E o som solto, “sobre a cabeça, não da”, mas dava sim e era lá que o maluco saltador ia parar. Um show que fez valer o crédito que a banda tem, junto à Trama Virtual.
Depois que o velhinho da segurança liberou ou salto solto, foi tomar uma cerveja para relaxar, consegui ainda acompanhar o dialogo dele com a garçonete.
-Como é que pode rapa, um monte de mulé e os caras preferem se jogar em cima de um moi de macho. Para onde vai esse planeta?!?!?!?
Seguranças tetando morgar a platéia...
... mas o Mosh Liberado

***A meia-noite já passou e quem tinha que pegara a abóbora já havia pegado. Entra no palco a atração realmente internacional, The Nation Blue. Banda australiana que era completamente desconhecida do publico, pelo menos da grande maioria, inclusive eu. A primeira impressão foi: power trio, um guitarrista com cara de boboca, e um jeito de quem não sabia se a coisa iria sair muito bem. Nos primeiros acordes tudo mudou. Feroz, foi a palavra que ficou na minha mente. Diferente do que parecia, Tom Linkcoln (guitarrista), sabia exatamente o que estava fazendo. Tantas acrobacias fez o rapaz que na segunda vez que colocou a guitarra na testa, quando baixou estava lá o sangue jorrando. Isso não é nada para uma banda que quando abriu a turnê do Foo Fighters na Austrália, o baixista Matt Weston quebrou a perna ao cair do palco e não quis sair de lá, deve de ser arrastado pelos para-médicos de plantão. No meio do show, Tom não se conteve, desceu do palco e foi tocar, no meio de um público bestificado. Eram tantos riffs e petardos sonoros que entre uma musica e outra, o publico gritava “madafoqueeeeer”, ao que os componentes da banda respondiam com um sorriso no canto do rosto e mais paulada sonora. Com o baterista Dan Mckay igualmente furioso, a banda desfilou certa de 15 musicas durante 45 minutos de show.
Para mim o melhor momento da noite.

The Nation Blue - Damnation
***Com o gás do público restante seriamente comprometido, achei que teria acabado por ali. Qual foi minha surpresa quando Panço convoca e todos os presentes se levantam e correm para frente do palco para pular o hardcore da banda Carioca. Com Rodrigo Barba na bateria, a banda teve um pequeno imprevisto durante a segunda musica, a guitarra de Panço teve um pequeno problema o que deixou o publico ansioso, para acalmar, a galera resolveu tirar uma onda. Entoaram Ana Julia, para homenagear o barbudo baterista, que levou numa boa até recomeçar o show, quando ele descarregou nos pratos e peles aquele “atrevimento”.
Barba no momento Ana Julia da Noite e Jason fazendo a festa
***Já passavam de duas da manhã quando entrou a ultima atração da noite, os baianos do The Honkers com seu rockabilly de costume. Divertidos e entrosados com o público, pelo menos o pouco que restou os caras fecharam a noite muito bem, considerando a hora, o sono e o cansaço de quem estava lá desde o inicio do show.
***Sai do Galpão 14 feliz por ter acompanhado uma noite tão boa, ter comprado um CD e sair com a esperança de que o Aumenta que é Rock pode colocara a Paraíba na agenda de eventos do Rock nacional.
+ + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + + +
***Segunda noite de apresentações no palco do Galpão 14, Aumenta que é Rock. Largo de São Pedro Gonçalves lotado bem cedo, o pagodão que rolava na praça Antenor Navarro, contrastava com o roquenrol em frente ao galpão 14. Lá dentro a primeira banda já tocando os primeiros acordes, eram 20h15min.
***Abortion Chamber, banda de metaaaaaaalllll. Vocal gutural e guitarras afiadas, a apresentação dos rapazes foi rápida, e pela quantidade de pessoas lá fora, pude presumir que eles tocaram apara pouquíssimas pessoas. Não sei, achei o ar lá fora muito limpo, e com aquela batida de pagode rolando no ar, eu comecei a bater o pezinho, foi a deixa. Hora de entra e acender um cigarro porque já ia começar o show de La Clave Encarnada. “A banda do Hannover” começou concentrada e foi assim que seguiu, sem muito falar o frontman, saiu rasgando e executando suas musicas. Experimentações diversas, com uma bateria em contratempo, a dupla seguiu absorta em suas melodias, tanto que quando a produção informou que já havia esgotado o tempo, o Hannover deixou escapar “já acabou?!?!?!?!?” com uma cara de bobo.

"E La Clave Vai"
***Sai do palco La Clave e entra rapidamente a banda Pluma, os caras equalizaram tudo tão rapidinho, com uma vontade tão grande de tocar que eu fiquei de orelha mais em pé ainda. Muito bom o som, aquele rock simples, sabe como é?! Com um batera ligado no que estava fazendo e competente, simples direto, e agressivo quando necessário.
A banda Pluma e o detaque na bateria, Rayan
***22:30, é a vez da banda Monophne de Fortaleza (CE), rock leve, gostoso de ouvir, pop. O vocalista, uma simpatia, André Fernandes, sempre agradecido, com a casa já quase cheia. Ficou tão grato que não parou de sorrir. A banda pregou o apocalipse nuclear, sugerindo o fim do mundo, com uma bomba. O que rendeu o comentário da noite. Uma amiga que encontrei:
-Meu irmão o que é isso?! Que absurdo. O mundo é tão legal, pra que acabar com tudo.
***A próxima atração da noite é Molestrike, eu estava com uma boa expectativa, escutei uma faixa do CD deles e achei muito boa. Com uma apresentação com um tom todo especial, start na vinheta sonora rock, a banda faz um som hardrock de primeiríssima com direitos a solos que passam dos 4 minutos, pedal duplo, e tudo o mais, muito boa, instigante. A primeira da noite a conseguir uma resposta direta do publico, a velha polga.
Cearenses do Monophone (em cima) Molestrike***Saindo de cena a Molestrike, começaram a preparar o palco para os Astronautas, a banda que foi destaque na revista do Lobão, Outra Coisa, demorou a aprontar tudo, muito gente chegou a deitar pelos cantos do galpão 14. Mesmo porque atração mais esperada da noite, Matanza, ainda estava distante de entrar no palco. Quando tudo ficou pronto enfim, e Eddy fez a apresentação da banda, pedindo para que ninguém subisse no palco, para não bater em nenhum fio, porque a parafernália era grande. Ai foi que eu me alertei, que viagem de roupa é essa, uma imitação de roupa lunar, máscaras de gás, a luz estroboscópica não parava de brilhar, solta a vinheta, e vem a primeira musica “O amor acabou”. Agressiva a banda já puxa logo a segunda música do repertório, “O Conto”, e que tava guardando forças deixou isso pra lá e pulou. Instigados por um vocalista furioso, que não conseguia aceitar o zumbido constante que o som apresentava e descontou na guitarra. A cada musica uma nova puxada na galera pra não deixar ninguém cochilar.
Atronautas em universo estroboscópico e toda a empolgação do frontman