terça-feira, 7 de agosto de 2007

Aumenta que é Rock

Primeira noite do festival Aumenta que é Rock.

*Tamdam (barulho de suspense)

Segunda edição do festival.

*TAMDAM (barulho de suspense mais alto ainda)

Terceira vez que chego atrasado em um lugar.

¬¬

***Puxa vida, esse lance de trabalhar à noite é mesmo um saco certas vezes. Eu acabo sempre dormindo tarde, acordando atrasado, o que me faz atrasar na universidade, que me faz chegar atrasado no estágio, que me faz chegar atrasado no trabalho. Resultado de uma semana inteira de atrasos?! Cheguei tarde para a primeira noite do festival Aumenta que é Rock, perdi a banda Elmo, mas não perdi a esportiva.



***Apesar de não estar colocando muita fé na primeira noite, liguei a máquina e conferi Poetas do Absurdo. Já conhecia a banda, rock alternativo com muita influencia grunge, letras sobre o cotidiano visto de uma forma engraçada, melodias empolgantes, “vou vender minha vida em 24 sem juros”.

Poetas do Absurdo

***Dei um tempo, acendi um cigarro enquanto observava uma figura com um chapéu estilo Crocodilo Dundee subir no palco, passagem de som muito rápida, tudo pronto, rock direto. Era o Rockfellers, fiquei impressionado com a capacidade do vocalista e guitarrista Lukão Rockfeller em executar riffs venenosos, enquanto cantava suas musicas em inglês. Um baixo solante que certas vezes deixava a platéia perceber uma falta, como se houvesse vaga para mais uma guitarra ali. Mas o som é bom e de competência. Algo que me lembrou muito The Hellacopters.


***Perambulando antes de começara aproxima atração, reparei como o galpão lotou de repente. Nossa!!! Como havia figuras interessantes por ali, um punk de cachimbo, um poeta na sinuca, um pastor evangélico discutindo teologia comigo. A fauna dos roqueiros pessoenses é muito diversificada, porém escassa. Tive uma leve impressão que na edição passada do festival havia mais pessoas, naquele lugar.

Rockefellers

Lukão Rockfeller e seu visual autraliano

Figuras da noite no Galpão 14



***Entra o Scary Monsters, mandando o seu som, galgado em influencias glam, hard, punk e pós-punk. Letras em inglês. Com tanto inglês pensei ser a noite “internacional” do evento. Os Scary monsters encerraram a apresentação um pouco antes do que esperavam, o cronômetro não pode parar, uma pena, mas isso acontece mesmo em festivais. Afinal logo após iria entrar o Zeferina Bomba e tava todo mundo a fim de ver.

***Lá vai Ilsom mandando guitarradas na viola elétrica. O publico ficou maluco, gente gritando e pulando era pouco, resolveram subir no palco, o que deixou a produção maluca com os pisões nos cabos dos retornos. Mandaram logo dois seguranças pra pôr moral na casa, ai foi que ficou interessante, a banda lá mandando ver e a galera querendo ver e tendo que olha na cara de dois brucutus de preto querendo estragar a festa.

-Libera o Mosh P**%$&@@@@.


***Ilson logo interveio e pediu para liberarem o pulo, desde que ninguém pisasse nos cabos. Ai foi lindo, o maluco subia, fazia carreira, dava um pulinho no meio do caminho e ia pra galera. E o som solto, “sobre a cabeça, não da”, mas dava sim e era lá que o maluco saltador ia parar. Um show que fez valer o crédito que a banda tem, junto à Trama Virtual.
Depois que o velhinho da segurança liberou ou salto solto, foi tomar uma cerveja para relaxar, consegui ainda acompanhar o dialogo dele com a garçonete.

-Como é que pode rapa, um monte de mulé e os caras preferem se jogar em cima de um moi de macho. Para onde vai esse planeta?!?!?!?




Seguranças tetando morgar a platéia...
... mas o Mosh Liberado

***A meia-noite já passou e quem tinha que pegara a abóbora já havia pegado. Entra no palco a atração realmente internacional, The Nation Blue. Banda australiana que era completamente desconhecida do publico, pelo menos da grande maioria, inclusive eu. A primeira impressão foi: power trio, um guitarrista com cara de boboca, e um jeito de quem não sabia se a coisa iria sair muito bem. Nos primeiros acordes tudo mudou. Feroz, foi a palavra que ficou na minha mente. Diferente do que parecia, Tom Linkcoln (guitarrista), sabia exatamente o que estava fazendo. Tantas acrobacias fez o rapaz que na segunda vez que colocou a guitarra na testa, quando baixou estava lá o sangue jorrando. Isso não é nada para uma banda que quando abriu a turnê do Foo Fighters na Austrália, o baixista Matt Weston quebrou a perna ao cair do palco e não quis sair de lá, deve de ser arrastado pelos para-médicos de plantão. No meio do show, Tom não se conteve, desceu do palco e foi tocar, no meio de um público bestificado. Eram tantos riffs e petardos sonoros que entre uma musica e outra, o publico gritava “madafoqueeeeer”, ao que os componentes da banda respondiam com um sorriso no canto do rosto e mais paulada sonora. Com o baterista Dan Mckay igualmente furioso, a banda desfilou certa de 15 musicas durante 45 minutos de show.
Para mim o melhor momento da noite.




Linkcoln e sua Guitarra - das mãos à cabeça

http://www.myspace.com/thenationblue





The Nation Blue - Damnation


***Com o gás do público restante seriamente comprometido, achei que teria acabado por ali. Qual foi minha surpresa quando Panço convoca e todos os presentes se levantam e correm para frente do palco para pular o hardcore da banda Carioca. Com Rodrigo Barba na bateria, a banda teve um pequeno imprevisto durante a segunda musica, a guitarra de Panço teve um pequeno problema o que deixou o publico ansioso, para acalmar, a galera resolveu tirar uma onda. Entoaram Ana Julia, para homenagear o barbudo baterista, que levou numa boa até recomeçar o show, quando ele descarregou nos pratos e peles aquele “atrevimento”.



Barba no momento Ana Julia da Noite e Jason fazendo a festa


***Já passavam de duas da manhã quando entrou a ultima atração da noite, os baianos do The Honkers com seu rockabilly de costume. Divertidos e entrosados com o público, pelo menos o pouco que restou os caras fecharam a noite muito bem, considerando a hora, o sono e o cansaço de quem estava lá desde o inicio do show.

***Sai do Galpão 14 feliz por ter acompanhado uma noite tão boa, ter comprado um CD e sair com a esperança de que o Aumenta que é Rock pode colocara a Paraíba na agenda de eventos do Rock nacional.


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***Segunda noite de apresentações no palco do Galpão 14, Aumenta que é Rock. Largo de São Pedro Gonçalves lotado bem cedo, o pagodão que rolava na praça Antenor Navarro, contrastava com o roquenrol em frente ao galpão 14. Lá dentro a primeira banda já tocando os primeiros acordes, eram 20h15min.


***Abortion Chamber, banda de metaaaaaaalllll. Vocal gutural e guitarras afiadas, a apresentação dos rapazes foi rápida, e pela quantidade de pessoas lá fora, pude presumir que eles tocaram apara pouquíssimas pessoas. Não sei, achei o ar lá fora muito limpo, e com aquela batida de pagode rolando no ar, eu comecei a bater o pezinho, foi a deixa. Hora de entra e acender um cigarro porque já ia começar o show de La Clave Encarnada. “A banda do Hannover” começou concentrada e foi assim que seguiu, sem muito falar o frontman, saiu rasgando e executando suas musicas. Experimentações diversas, com uma bateria em contratempo, a dupla seguiu absorta em suas melodias, tanto que quando a produção informou que já havia esgotado o tempo, o Hannover deixou escapar “já acabou?!?!?!?!?” com uma cara de bobo.





"E La Clave Vai"

***Sai do palco La Clave e entra rapidamente a banda Pluma, os caras equalizaram tudo tão rapidinho, com uma vontade tão grande de tocar que eu fiquei de orelha mais em pé ainda. Muito bom o som, aquele rock simples, sabe como é?! Com um batera ligado no que estava fazendo e competente, simples direto, e agressivo quando necessário.


A banda Pluma e o detaque na bateria, Rayan

***22:30, é a vez da banda Monophne de Fortaleza (CE), rock leve, gostoso de ouvir, pop. O vocalista, uma simpatia, André Fernandes, sempre agradecido, com a casa já quase cheia. Ficou tão grato que não parou de sorrir. A banda pregou o apocalipse nuclear, sugerindo o fim do mundo, com uma bomba. O que rendeu o comentário da noite. Uma amiga que encontrei:

-Meu irmão o que é isso?! Que absurdo. O mundo é tão legal, pra que acabar com tudo.

***A próxima atração da noite é Molestrike, eu estava com uma boa expectativa, escutei uma faixa do CD deles e achei muito boa. Com uma apresentação com um tom todo especial, start na vinheta sonora rock, a banda faz um som hardrock de primeiríssima com direitos a solos que passam dos 4 minutos, pedal duplo, e tudo o mais, muito boa, instigante. A primeira da noite a conseguir uma resposta direta do publico, a velha polga.


Cearenses do Monophone (em cima) Molestrike


***Saindo de cena a Molestrike, começaram a preparar o palco para os Astronautas, a banda que foi destaque na revista do Lobão, Outra Coisa, demorou a aprontar tudo, muito gente chegou a deitar pelos cantos do galpão 14. Mesmo porque atração mais esperada da noite, Matanza, ainda estava distante de entrar no palco. Quando tudo ficou pronto enfim, e Eddy fez a apresentação da banda, pedindo para que ninguém subisse no palco, para não bater em nenhum fio, porque a parafernália era grande. Ai foi que eu me alertei, que viagem de roupa é essa, uma imitação de roupa lunar, máscaras de gás, a luz estroboscópica não parava de brilhar, solta a vinheta, e vem a primeira musica “O amor acabou”. Agressiva a banda já puxa logo a segunda música do repertório, “O Conto”, e que tava guardando forças deixou isso pra lá e pulou. Instigados por um vocalista furioso, que não conseguia aceitar o zumbido constante que o som apresentava e descontou na guitarra. A cada musica uma nova puxada na galera pra não deixar ninguém cochilar.


Atronautas em universo estroboscópico e toda a empolgação do frontman




***Quando Cascadura entrou pra fazer o seu show, o publico já estava exausto, ai sim resolveram guardar forças. A banda baiana é muito boa, mas com um show de uma hora e dez, ninguém quis ficar em pé até o fim, aos poucos a turma foi se deitando, deixando a frente do palco e indo tomar uma cerveja no bar, jogar sinuca. AO terminar o show a Cascadura quase não tinha mais para quem olhar, mesmo assim agradeceu, tocou a última, e deu vez ao Motherhell. Com a cara de tiozinho que o vocalista Fabio Casacadura tem, fiquei imaginando que ele já deve saber que é assim mesmo.

***Todo mundo deitado e quase morto, entra o Motherhell, pedindo para todo mundo se levantar, eles fizeram bem o esquente para o publico, até se formar uma polga, foi um crescendo gradativo, e quando os caras saíram do palco, o público já estava pronto.
3:55 da manhã.
Matanzaaaaaaaaaa.


Aquecimento para o Matanza, Cascadura (em cima) e Motherhell

***Com aquele visual nórdico Jimmy começa a entoar, seus cantigos, e ai é delírio. Gritaria total. Polga. Whisky de bolsa para Jimmy, que bebe, derrama pela barba, todo suado e assanhado, o cara parece um troglodita, ou seja, Rock And Roll. Sem falar nas pequenas histórias para apresentar as musicas.



Jimmy, o nórdico...
... e o ultimo gás da noite

***Com o ouvido zunindo, 04h45min da manhã e eu vou embora, antes do fim, mas satisfeito.

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***Terceira noite do festival Aumenta que é Rock e começou me deixando desconfiado. Chuva. João Pessoa é um lugar interessante. Todos vivem reclamando de não ter nada pra fazer, mas quando tem basta um empecilho (no caso, uma chuva) para que seja uma desculpa.

***Cheguei atrasado para o festival, mas tinha um enviado especial lá pra me passar as informações. Thiago Parente (ex)Cabeleira, passou tudinho.

***Para abrir a noite, a banda Gauche, som folk-rock-psicodélico, mensagem boa e calma, a banda tocou bem, sem muito empolgar. Ainda não tinha voltado a chover e o pequeno publico em frente ao palco pôde acompanhar uma apresentação boa.

***A segunda banda da noite foi a Retaliação, com uma pegada pesada, letras politizadas, tentando passar uma idéia de “contra-sistema” queimou a bandeira dos EUA no fim do show. Atitude que me deixou bastante temeroso, sei lá né?! Por muito menos Bush atacou o Iraque!

***Quando cheguei, bati um papo com o pessoal da organização, e percebi que todo mundo meio que já sabia que iria dar pouca gente naquela noite. No palco a banda Enne se preparava pra começar, no primeiro solo, eu cheguei perto. A banda que está fazendo uma turnê pelo NE, mesmo com um vocalista pra lá de rouco, deu toda a energia que podia, o baterista Cacau parecia que iria quebrara os pratos a qualquer instante. Muito interessante a sincronia entre os quatro integrantes, sempre que havia aquela batida mais marcante, batiam cabeça e davam a puxada tão forte quanto fosse a pegada do baterista. Tipo nu metal sabe como é?! Tudo bem, problemas de som à parte, boa apresentação e agradecimentos a todos, acho que até a chuva valeu para os caras, mesmo espantando o público.

***A próxima banda demorou a aprontar tudo, mas espera ai, só tem dois ali em cima, cadê o resto da banda?! Lucy and The Pop Sonics, subiram no palco com uma bateria eletrônica, muito temperamental vamos dizer assim, não queria tocar. Enfim problema resolvido, a show começou e a vocalista Fernanda Popsonic conseguiu juntar todo mundo depois de prometer tirar a roupa. Eletro rock divertido com letras tchu ru ru. “Coração Empacotado” e “Eu Quero Ser seu Tamagochi” fizeram as meninas dançarem e os rapazes sorrirem a beça. De Brasília pra cá, os “eletropandas” fizeram apresentação mais divertida da noite.


Enne, representando o estilo mineirinho

E a dupla do Lucy and the Popsonics

***Daí choveu, muito. Os Reis da Cocada Preta, já estavam no palco. Essa enfrentei a chuva pra ver de perto. Já conhecia o som e escutar as novas diretamente do studio, foi um prazer. A banda manteve a mesma empolgação de sempre, Janz na frente puxando tudo, parecia que havia 1000 pessoas na platéia, não seria diferente, tocaram com a mesma empolgação que eu já conhecia. No fim do Show a chuva ficou insustentável, as caixas tiveram de ser cobertas e demorou muito para o River Raid entrar em cena.


Janz, o chefe d'Os Reis da Cocada Preta


***Daí a abóbora já tinha passado e todas as cinderelas já haviam ido embora, e os príncipes se transformaram em sapos em suas camas quentes e confortáveis, sobrando apenas nós, parasitas do rock paraibano e alguns componentes das bandas que haviam tocado. Quase todos embriagados tentando entender o porquê de João Pessoa ser assim, tentando balancear e analisar os resultados do festival. Acho que tinha álcool demais na conversa, porque quanto mais nos questionávamos mais achávamos um buraco fundo, escuro e que me deixou com poucas esperanças.

***Entra o River Raid, rock de primeira, sai o River Raid e entra o Rock Rocket, que tocaram mesmo assim, para 20 espectadores embriagados, talvez mais dos que os que estavam ali tocando e saldando sempre a cachaça em suas musicas.


River Raid e Rock Rocket, quase um show particular


***Fim de Show, fim de Festival, e pouca coisa na cabeça que valha a pena ser citado aqui. Fui embora sem entender o que realmente acontece com essa cidade, comer meu cachorro quente e dormir, já era segunda-feira, dia de trabalhar e esquecer essa idéia de viver de rock, seja cantando, tocando ou mesmo escrevendo.

2 comentários:

Anny Gomes disse...
Esta postagem foi removida pelo autor.
Cybelle disse...

mto bom os comentários.....apesar d discordar d alguns...
fui no segundo dia, q foi mto bom
foi uma grata surpresa o molestrike
astronautas e cascadura nem se falam
a matanza, é mto engraçado, aquele ar d homem das cavernas d jimmy!!
infelizmente não fui p 1 dia q deve ter sido ótimo, principalmente pela participação d zefirina é fodástica
e vai a pergunta oq é preciso p João Pessoa ter uma cena d rock atuante??
flw