sexta-feira, 2 de outubro de 2009
Do meu pai.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Primeira Noite do Coletivo
Interessante quando as coisas aparentam seguir uma linha pré-determinada e ligadas entre si. Rolou neste sábado, 23, no Espaço Mundo, a primeira Noite do Coletivo Mundo. Uma noite antes estávamos conversando sobre quais seriam as bandas realmente boas e que valem à pena ir num show em João Pessoa.
Chuva demais, noite úmida, gente de casaco. A preparação foi complicada: pegar instrumentos e montar tudo dá um trabalho enorme, mas saiu tudo nos confirmes e às 22hrs deu-se início à noite das meninas.
A primeira banda, Blue Sheep, já na passagem de som trouxe o frisson. Bandas femininas na noite, com exceção da Lolirock com baterista e baixista do sexo masculino, só mulheres no palco.
Sem muita demora a Blue Sheep começou o show com duas musicas autorais. A banda foi escolhida para ser a primeira da noite por conta das integrantes do grupo: três garotas que não aparentam,jamais, ter mais que 16 anos. No repertório, “Hard meu véi!” Steppenwolf, Jimmy Hendrix, e as garotas se garantem muito. A guitarrista era a pura veia, pulsando “rock and roll style”. As musicas próprias não saem da regra. Banda estigadíssima no palco, com coreografias, as garotas têm uma feminilidade brutal, meigas, mas com aquela cara de “Let`s Rock”. O show acabou com um pedido de bis estupefato de todos que chegaram para ver a primeira da noite.
Subiu na palco Lolirock. Pop rock. Pop soft. Bonito e meigo, mas há exeções, como na musica um Céu pra Você. Riffs melódicos, levadas em alto astral na bateria,combinando com um balanço meio 60`s no baixo. E Ao mesmo tempo muito modernoso. Tudo na banda é bom. Só peca a vocalista. Não que o vocal seja feio ou desafinado, não. É um sei o que de falta de imposição. Faltou tomar o palco de assalto. O que foi regra na noite.
As duas ultimas bandas da noite são muito próximas entre si. Não no estilo, mas nas integrantes: uma faz a vez de roadie quando a outra vai tocar. Fazia algum tempo que não via o show da Bárbara. Quando deu-se início, era força, nervosismo, ou como Second bem definiu, caótico. Arranjos muito bem elaborados nas músicas novas, um ficou na minha cabeça a noite inteira. Durante as primeiras cinco ou seis musicas, rolava uma energia constante, porém no quase meio do show rolou uma desaceleração até natural, eu diria. Manter aquela vibe da trabalho. A mais instigada era a própria batera, quem daria o ritmo a tudo. A banda vale muito a pena de ver.
Fechando a noite que seguiu numa progressão agressiva, Noskill. Tirando a demora em afinar os equipamentos, segundo a guitarrista: “corda velha é foda”. Desde que a banda começou a tocar, até o fim do repertório, a inquietude causada era a mesma. Thuany, a vocalista instigada, tem estilo e sabe por toda a agressão pra fora. Na verdade, da até pra achar que ela está sob efeito de algo à mais que a musica que está cantando. O quê, exatamente, não sei. Ingridy, a baterista, conheço à muito tempo, sempre sei que quando ela está tocando a concentração é a mesma, a vontade de fazer o melhor show da vida dela é a mesma, e isso foi regra na noite de calcinhas do Coletivo Mundo.
As quatro bandas me surpreenderam, uma das noites mais bacanas do Espaço Mundo até então. Com Girls Rock e estigação.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
ESPAÇO MUNDO
João Pessoa inaugura novo espaço para o mercado independente
A cidade de João Pessoa sempre teve uma vocação em ficar carente de espaços onde a produção independente de cultura pudesse circular. Um lugar que servisse de ponto de encontro não apenas para um segmento, mas para músicos, artistas, cineastas e todos os demais interessados em fazer circular o que normalmente não tem espaço nos grandes palcos locais. Agora, um novo foco de resistência chega na forma do ESPAÇO MUNDO, centro para shows pequenos e memoráveis, com exposições, exibição de audiovisual e festas.
O Espaço Mundo fica no centro histórico de João Pessoa, na Praça Antenor Navarro e abrirá suas portas pela primeira vez no próximo dia 25 de abril. Em ritmo acelerado, a casa já começa como parte da rede Fora do Eixo, que reúne espaços para divulgação de cultura em todo o Brasil, seguindo um modelo bem sucedido de economia solidária que, em breve, deve também ser instalado na Paraíba. Também já começa afinado o discurso com a Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin), que mapeia a produção de música em eventos que acontecem pelo país.
Essa relação é imediata porque o Espaço Mundo funciona como um dos braços fundamentais do Coletivo Mundo, que reúne artistas de diversas áreas em João Pessoa e já tem no currículo a realização do Festival Mundo há cinco anos. Assim, os esforços para incluir a produção paraibana de cultura em um circuito nacional não será solitário, mas sim munido de parcerias e o respaldo de mentes pensantes dessa cadeia produtiva em território nacional.
Apesar de toda seriedade e comprometimento, o Espaço Mundo é, antes de tudo, um lugar de celebração. A agenda de eventos de cidade agora ganha um reforço com festas, shows, exposições e diversas atividades que transformam o endereço da casa o lugar certo para se frequentar a noite da cidade. Bar e ponto de encontro entre artistas, produtores e públicos como cumplices de mais esse resultado. Esforços somados que mostram a força da cultura independente.
O Espaço Mundo será aberto de quinta à domingo, com shows uma vez por semana. Acompanhe a agenda no blogwww.agendadomundo.blogspot.com
A Inauguração
Shows com
Burro Morto
Os Reis da Cocada Preta
Discotecagem: Carlos Dowling
Exposição: Shiko
Entrada: Gratuita
Dia 25 de abril, a partir das 22hrs
Contato: mundoespaco@gmail.com ou pelos telefones (83) 8804.0455 e (83) 88177684
domingo, 5 de abril de 2009
Nordeste Independente - Caloroso

Tava calor, muito quente mesmo, talvez por isso mesmo o público não tenha chegado na hora exata de início de show. A turma quer sair de casa quando estiver fazendo uma brisa fria. Mas na noite de sexta é para ferver mesmo.
Subiu no palco por volta das 21h a primeira banda da noite, Afetamina. Porra-loucura em cima do palco. O mesário quase enfarta já no começo do show, quando Marcelo Careca começou a pular, caiu por cima da caixa de retorno aos pés do baixista. Mas se levantou ligeiro, como quem dá uma rasteira, olhou para o público e voltou a vociferar como se fosse o fim do mundo. Balançando a cueca samba-canção quadriculada (na performance mais sexy que conseguiu), Marcelo chamava quem estava indiferente pra entrar. Não há vibe melhor para um início de show. Paulada do início a fim. Sem tempo para descansar, distorção no máximo, e tirando pequenos problemas de ajuste no
som – primeira banda padece, entre outras tantas coisas, disso – foi 30 minutos para acordar.

Distro
Corre-corre pra trocar banda no palco e ligeiro, avexado. Sobe então a Distro, vinda do RN, para deslanchar o repertório rock and roll no público ainda crescente. Comprei o exemplar do recém-lançado, competência comprovada. O que rola ao vivo não perde gás no estúdio.
É rock simples e direto, solos bem encaixados, letras bacanas, bem elaboradas e músicos gente finíssima. Passaram a noite batendo papo com todo mundo, depois de lançar a instiga certa pra o show continuar.
Terceira banda no palco? Sem Horas.

Sem Horas - Igor e seu rebolado
Publico certo, fiel, disciplinados por Igor Tadeu e seu rebolado. Beatlesmodernagi, melodias conhecidas, Chuck Berry Riffs, são as bases para a boa atuação. A única ressalva? Troca de instrumento no palco me dá certa agonia, mas quando é bem feita não quebra o clima. No caso da Sem Horas, quebrou, nada muito grave. O show é retomado e a empolgação fica engatilhada para a quarta atração da noite.
Cerva Grátis sobe com seu isopor cheio de geladinhas pra distribuir para seus fãs, que não fazem feio. Ficam embriagados, pulam e gritam mais que a banda, e às vezes cantam mais que a banda. O palco em determinado momento foi tomado por amigos e filões de cerveja grátis em geral, aquela bagunça, aquela arriação, festa e barato total. “Cerva boa é Cerva Grátis”. E como disseram os rapazes “beber prolonga a foda” e prolonga também o show, baladas ébrio-romanticas lançadas ao ar. Lindo, empolgação total por parte dos caras, que bebiam desde a quinta-feira, quando se apresentaram
A demora em começar a tocar se explica pela quantidade de equipamentos e ajustes a fazer para que a banda iniciasse a tocar: Laptop, power click, pedaleira, tudo ajustado; e o público já um pouco cansado se levantou para tomar conhecimento da Venus Volts. Ou não?! Ou já se conheciam?! Metade do repertório já era conhecido por pelo menos metade das pessoas que se esgoelavam na frente do palco – a outra metade esgoelava a própria empolgação. Performática, a banda tocou aproximadamente uma hora e meia, e as músicas mais empolgantes ficaram por conta das do primeiro EP, que já haviam sido apresentadas ao público paraibano na edição do Festival Aumenta que é Rock do ano passado. Paper Boards; Crucify and Burn Me; In Gold We Trust; levaram o resto do gás do público ainda presente. Em sua segunda turnê feita pelo nordeste, a banda foi muito bem recebida, se desmancharam em elogios pelo público e já havia uma brincadeira no ar de que a Venus Volts já é “banda da casa”.
No fim de uma noite calorenta, restaram abraços, beijos, apertos de mãos, troca de e-mails, interação por conta das bandas participantes e público. E para o Coletivo Mundo e Aumenta que é Rock, o fechamento da terceira edição do Nordeste Independente que, entre perdas financeiras e ganhos (contábeis e incontáveis), foi um SUCESSO!
sábado, 20 de dezembro de 2008
NATAL COM JAZZ

É pra ceiar... e depois degustar e se fartar... de boa música!
♫
Dia 24/DEZ - quarta... às 23h (Véspera de Natal)
Espaço Maresia, na beira-mar de Cabo Branco, ao lado do Hotel Ibis
♪
AEROTrio (CG) http://www.myspace.com/aerotrio
Burro Morto (JP) http://www.myspace.com/burromorto
DJ Nazareno (Discotecagem com temas jazzísticos)
♫
♪
♫
ENTRADA: R$ 8,00 + 1 Kg de alimento p/ ajuda as famílias atingidas em SC.
“Alimente essa idéia!!!”
♪
As 100 primeiras pessoas ganharão um Drink...
...e depois é só brindar e ter um Felizz Natal... com Jazz.
Venda antecipada nas lojas ChilliBeans.
IMPERDÍVEL!!!
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Aumenta que é Rock - Segunda Noite
A segunda noite de shows do festival Aumenta que é Rock seria da turma do metal e do Hard Core. Me diga ai. Durante o seu dia normal, a semana de corre-corre, você vê muitas pessoas de preto na rua, e mais, com sparks, brincos, maquiagens, furos e mais furos pelo corpo?!
Não né?! Mas coloca uma banda de Metal pra tocar que você vai ver quantos metaleiros existem por ai. E é um público fidelíssimo.
Admito que Metal não é muito minha praia, que nunca havia escutado Torture Squad, nem Mukeka di Rato que é um Hard Core muito escroto. De HC sempre gostei, mas não é o que tenho acompanhado ultimamente, por isso mesmo cheguei no Galpão 14 voando legal no que a noite poderia ser, não fazia a menor idéia.
Quem abriu a noite foi uma banda chamada Mobiê. A primeira musica chamava-se “Regional Agressivo” anunciada com aquele vocal gutural. “OhhhAaaahahahahah”.
E deu início, já de cara, com pouquíssimas pessoas na platéia mas suficientes para um prenuncio de como seria o resto da noite. Pula de lá, empurra de cá, não era bem a polga que conheci com meus 15 anos. Ficar girando e dando cotoveladas nos meus amigos era uma das melhores atividades para mim naquela época, mas a turma que tava assistindo ao Mobiê, pulava, dava cotovelada, pernada, gritava, se esgoelava e batia cabeça. Tudo ao mesmo tempo. Numa mistura de metal-core com Rap, no melhor estilo Pavilhão 9, o Mobiê seguiu seu show. Muito engraçado a hora que o segundo vocalista chegou, no meio da segunda música. Quando acabou de cantar pediu desculpas a galera e escutou um sonoro “Foda-se! Toca aê porra”. Mas o carinho era mutuo. Fãs e artistas se entendem das formas mais variadas.
Thyresis já engrossou mais o caldo. O baixista Victor Hugo Targino quem conduzia as ambiências e nuances nefastas. Mais vocal gutural. Mais pedal duplo. Mesmo pra mim que não sou fã, é um som de empolgar, nervoso demais. Fiquei batendo cabeça moderadamente ali atrás do palco. Metaaaaallll.
As duas bandas seguintes marcaram o momento, digamos assim, light, da noite. Not For Sale e Rótulo. A primeira fez um punk rock moderado, bacaninha. Vocalista “marombado”, altas poses “olha o muque”. Galera simpática, bebendo muita água no camarim. A banda Rótulo fez um Hard-Core muito responsável combinando com as caras de CDF do vocalista e do baterista. Har-Core de “oclinhos”, eu já vi isso por ai.
Depois da Rótulo, não houve mais tempo pra respirar. Sobe no palco a banda Soturnos e começa a se formar a maior atmosfera dark, trash, ME – TAL!
A soturnos toca em casa, sabe quem são aqueles que estão na platéia, mesmo os que vieram de cidades vizinha e não tão vizinhas dentro do estado. Uma horda inteira de Campina Grande gritou as letras dos caras o show inteiro e a sandice, só foi maior para sexta banda da noite.
A Torture Squad tem uma fama enorme no cenário underground do metal. A preparação do palco já foi uma gritaria enorme, que seguiu durante uns 10 min. Até que a luzes apagaram, apenas uma fumaça que soltaram no palco e uma intro que saída pelos auto-falantes. Dada a introdução, o pessoal da banda veio para o palco, com suas calças de couro e os cabelos soltos. Pronto, deu início a um pandemônio que eu nunca havia visto dentro do Galpão 14. Peso na bateria de Amilcar “O homem Máquina” Christófaro, nem se fala na guitarra de Augusto Lopes. A roda a essa altura estava enorme, louca, maluca. Fanáticos da banda cantavam musica por música. Nos intervalos das musicas, eram tantos os gritos que os músicos ficaram surpresos, ou pelo menos demonstraram muita surpresa. Talvez não esperassem tanta loucura na turnê do Nordeste.
Entre a loucura de Torture Squad maluquice que seria o show do Mukeka di Rato, a banda Lethal fez o intervalo. Digo intervalo porque foi um show breve, de 30min a apresentação dos rapazes foi de 20 min.
Entra o Mukeka e um bom pedaço do público do Aumenta já havia ido embora, nem sei que horas eram mais, no agito do Torture meu celular foi pras cucuias. Só sei que o Mukeka subiu no palco com os integrantes devidamente embriagados e sem repertório definido. Sempre perguntando a platéia qual era a próxima música. Bem na veia, o Mukeka tirou o último dos últimos dos fôlegos de quem estava no Galpão.
Quando acabou o show do Mukeka, o dia já começava a raiar, já se ouviam passarinhos cantando. No largo de São Pedro Gonçalves as seqüelas da noite, muitas e muitas latas de cerveja pelo chão, os garis varrendo, um monte de headbanguers deitados na escadaria da igreja, outro monte na parada de ônibus, eu que estava ainda com alguma energia tirada não sei de onde fui comprar cigarro na barraquinha do outro lado da rua.
Respirar fundo, sentir o cheiro do mangue que a maré ta enchendo, e torcer pra que o ano que vem seja igual a esse mês que passou louco ensandecido, energético e cheio de rock.
Aumenta que é Rock - Primeira Noite
Na primeira noite do Aumenta que é Rock, largo de São Pedro Gonçalves, lotado, logo cedo. Mas pouca gente quis entrar pra conferir as primeiras bandas. A banda Cerva Grátis para abrir. Quem ler o texto sobre o festival Mundo, pode conferir que eles igualmente abriram o show da segunda noite. Começaram a noite no Aumenta com um “boa noite, nós somos o Cerva Grátis. Uma Banda de Primeira. Os Abridores oficiais das noites de festivais em João Pessoa”. Bom, deve ser por isso que os caras tocaram nos dois festivais da cidade. Bom humor, sempre. Estão lá os três e o famoso Isopor da Cerva, de tempos em tempos voando uma latinha pra platéia. Mandaram bem no rock e mandaram também um abraço pra mãe de André Duende que estava lá, entre o público fiel deles que, reduzido, mas contagiante vibrou do começa ao fim do show.
A segunda banda da noite do Aumenta? Malaquias em Perigo. Algum tempo atrás quando eu ainda tinha uma banda, queria demais dividir palco com a Malaquias porque sempre soube que aquela energia de palco ficaria vibrando até a noite terminar. E foi exatamente o que aconteceu. A Malaquias subiu no palco e demorou um pouquinho pra ajustar os pedais, fora isso, o show não foi interrompido por nada, e não havia o que pudesse parar com Diego Second no comando. O mínimo de tempo que havia entre uma música e outra eram preenchidos pelos gritos das grupies do baixista Biu Neto. Tocar em casa pra galera da gente é muito bom né?! O Malaquias mandou seu repertório de músicas próprias e alguns poucos covers, com tanta força e energia que quando acabou o show o público já estava preparadíssimo e com todo o gás para agüentar a noite. Não falei?! A energia dos caras fica vibrado no ar.
De Campina Grande veio a banda Hi Jack, potente, achei a banda um pouco pop demais da conta. Mas sempre que estava me certificando disso, surgia um peso de não sei onde que me fazia estigar novamente. Talvez fosse os solos virtuosos demais num som pop, ou talvez fosse a energia do Malaquias em Perigo que ainda estava no ar e eu queria mais. Acabou o show e em minha opinião foi bom. Empolgado, mas simples demais, nada que me visses dizer “Uau” ou algo do tipo.
No caso da Vênus Volts que veio logo em seguida houve muito “Uaus”, um atrás do outro. A banda com certeza foi a diferença da noite, em cima e em baixo do palco. Das bandas que vem em João Pessoa, todas são muito bem tratadas, mas só as especiais mesmo ganham um convite para o “churraleto” da galera do Cerva Grátis. Eles ganharam e teriam ganhado mais, se não tivessem de viajar logo pra tocar em Natal – RN. No camarim, no meio da galera, depois da noite inteira de show a Vênus Volts ainda estava por lá, se divertindo e conversando com todo mundo. O batera Du, tava que era uma alegria só, dançando e puxando conversa com todo mundo: “Ô meu! To Larrrrgado!”. No palco a banda reflete a simpatia. No Myspace dos caras tem “You don't know yet, but you gonna love us”, pois a coisa é realmente contagiante assim. A presença de palco de Trinity é impressionante, batera com power click, p/ não perder a batida, todas as linhas muito bem construídas. O vocal de André Pelle faz o balanço completo com a voz de Trinity. Tudo na banda casa bem demais com a idéia. O baixo marcante acompanhando a bateria. Demais, demais, demais. Em uma breve conversa com André após o show, descobri de onde vem as influencias, tudo galgado no som grunge dos 90, um pouco de U2, coisa só da boa, finíssima. Das musicas que consegui fichar na mente filando do set list, destaquei “Paper Boards” e “In Gold We Trust”. Não dança quem não quer. Não pula quem não quer.
Continuando a vibração da noite, entrou no palco a AMP. Notei a presença de Marcelo Gomão, guitarrista e vocalista da Vamoz. Parei para cumprimenta-lo e ele:“ E ai cara!, to aqui acompanhado a galera da AMP que é amigo da gente”. Pensei comigo: “Se esses caras são do time da Vamoz, lá vem porrada”. Não deu outra. Essa galera de Hellcife não brinca. Foi um Rock Noise do início ao fim, sem muito blá blá blá. O palco do Galpão 14 parecia que iria explodir, de tanta energia e força que os caras colocavam na hora de tocar. Punsh um atrás do outro. Fiquei suado só de assistir sentado, quem tava na multidão ou olhava com cara de surpresa ou com cara de fúria, sentindo cada riff como se atacasse a carne. “Yeahhhh caras, a AMP é Rock”.
Não houve muita espera pra ver a sétima banda entrar no palco e começar a mandar V. foi a vez da Black Drawing Chalks de GO. Chegaram com suas botas e no melhor estilo Hard Rock que há. Foi tudo muito rápido. Da saída da AMP pra entrada dos caras então quem tava no pique já continuou dali, emendando.
Sexta e penúltima banda da noite, a revelação paraibana destaque do M.A.D.A., Sem Horas. Muita fumaça, um suspense, até que a apresentação da banda feita por Eliseu Lins – um dos organizadores do festival – fez sentido. “Eles resolverão assumir suas identidades”. Subiram vestidos de belas senhoras, vestidinhos de babado, (com exceção de Cobal vestido de cafetão) e fizeram o rockabilly baião, estilo Mutantes. Dançaram desengonçados em seus calçados femininos.
Pra fechar a primeira noite do Aumenta que é Rock. A MTVística Forgotten Boys. Menininhas afobadas, empolgadas, felizes da vida por que o Chuck tava ali, em seu jeans justinho. Que lindo!
Eu já estava morto de cansado, de tanto subir e descer do palco, que não prestei muita atenção aos detalhes do show. Fiquei por ali sentado tomando uma cerveja enquanto eles cantavam “Ela foi e você ficou”. Chuvinha leve pra fechar a noite. Acabou o show dos Forgotten e logo que pude fui pra casa pra descansar porque eu sabia que a segunda noite do Aumenta seria pra matar. Era noite do Metal com Torture Squade e eu juro que nunca vi tamanha loucura dentro do Galpão 14.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Burro Morto no desfile da Furta Cor
Com o tema de Moda Mundi, a Furta Cor apresentou um catálogo com várias imagens que remetiam a PAisagens Globais. Não sei se foi no Brasil todo mas aqui em João Pessoa, o catálogo foi todo elaborado por artístas locais.
Ao chegar no restaurante Sagarana, senti que a noite seria chiequetosa. Ambiente bem decorado na praia no Cabo Branco, almofadas na grama, mas eu tava ali mesmo porque a banda Burro Morto iria tocar. Não sou muito entendido desse mundo da moda, mas sei que o normal é ter um DJ lá mandando samplers e remixagens no melhor estilo "tum-txi-tum-txi-tum". Dessa vez, o que vi fpoi diferente.
Para dar o clima a direção da Furta Cor local contratou os rapazes da Burro Moro para dar todo o clima da passarela.
Vou te contar, não poderia ser melhor.
O resultado foi uma platéia que filtrou as influencias estilisticas da Furta Cor pelos olhos, ouvidos e poros. o Ambiente estava todo voltado para aquilo.
A galera da Burro Morto como sempre impecável. Souberam como associar o estilo de som que eles fazem com a proposta da coleção. Nada mais "MUndi" do que o som da Burro Morto.
O resultado foi o desfile mais bacana que tive a oportunidade de ver. Minha época de querer roupas ripongas, desbotadas e descoladas já passou, mas pra quem curte, pode apostar, vai comprar pensnado naquele groove que ouviu no desfile.
Ta de parabéns a Furta Cor João Pessoa que resolveu reconhecer os artístas da terrinha na hora de lançar por aqui!
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Festival Mundo 2008 - Segunda Noite
Por volta das 20h00min horas, foi dada a partida. Pra festa de quem havia chegado cedo, a banda fez jus ao nome e sacou de dentro de uma caixa de isopor latas e mais latas de certa cerva dita redonda. Ótimo! Boa noite dado, a banda Cerva Grátis desceu seu repertório de rock escrachado e simples. Como um power trio a banda tem que manter a estiga e eu nunca vi uma banda ser tão celebrada em um início de show. O repertório composto por algumas poucas covers, mas em maioria de musicas próprias gravadas em seu primeiro EP. Não sei se o grito de “mais uma”se referia ao show dos caras em si, ou a mais uma cerveja grátis que poderia sair de dentro daquela caixa. Fato é que eles mandaram vê saíram do palco ovacionados. A banda Cerva Grátis desde um bom tempo antes já fazia uma divulgação de seu show no festival Mundo da forma mais criativa que já vi, convidando todos os ébrios que são fãs da banda a comparecer e abrir o bar do festival. Pra mim, a prova de que o rock etílico não necessariamente tem que ser feito de porra louquisse.
A segunda banda a povoar o palco foi abanda Elmo. Hardcooooooooore. Juninho, já chegou clamado todo mundo do Mundo. “Vamo pular aê porra!!!”. Posso dizer que foi o momento mais barulhento da noite, no melhor sentido da palavra. Hardcore todo mundo sabe como é, mas não há quem goste de rock que não se empolgue com o “tu-pa-tu-pa-tupa” constante. É fato que muita gente que chegou para abrir o bar com o pessoal do Cerva, saiu e deixou de ver a fúria da Elmo, mas isso foi uma constante na noite, nunca entendi quem paga a entrada de um show e logo sai pra tomar uma cerveja lá fora, ou pra conversar nada com ninguém importante. Bom, cada um, cada um. Eu estava lá e vi que a Elmo deu todo o gás que pode.
No fim do show da Elmo, coincidência ou não choveu antes do show da Nublado. Acho que o tempo colaborou com o clima do show. Decorado na minha mente só havia três musicas, lançadas no EP de estréia da banda, mas o som é familiar, não difícil você se pega imaginando que aquela musica poderia ser a trilha sonora perfeita para algum momento da sua vida, em letra e em som. Eu costumo chamar de som Alternativo o que a nublado faz, porém esse lance de rótulo em si é inútil, se eu pudesse dar outra definição... musicas para escutar no início daquela noite em que você sai de casa para encontrar as pessoas mais queridas da sua vida. Quem costuma separar as bandas por sentimentos sabe do que eu estou falando. Insônia foi o ápice, que fiquei cantarolando enquanto recebia o pessoal das bandas que chegavam. Louco para estar lá na frente do palco acompanhando de pertinho. Mas vá lá, o festival tem que andar e alguém tem que trabalhar.
Galpão lotado, entra-e-sai na bilheteria e eu fiquei preso e perdi o início da banda O Garfo do CE. Mas de longe consegui captar a batida dance, quando tive tempo para chegar mais perto do palco, gostei da imagem do guitarrista, cigarrão na boca, garrafa de Vodca pra lubrificar. Direto, simples. Batida constante. Em resumo é um som legal, daqueles que você acompanha com o pé.
Tive de deixar o pessoal do Garfo no hotel e perdi a apresentação do Sweet Fanny Adams. Cheguei apenas no final pra ver a confusão que houve na ultima musica, um bêbado caiu por cima do batera derrubou meio mundo de equipamento e eu não consegui nem entender nem descobrir como diabos ele subiu no palco e nem o porque da confusão.
Na sexta banda da noite reparei em um fato inusitado, houve uma divisão no público da noite. Boa parte saiu quando iria começar a banda Burro Morto, ao mesmo tempo em que muita gente entrou no Galpão só pra ver os caras e a Cabruêra que viria na seqüência. Dos que ficaram pra assistir a apresentação, muitos admirados, uma cara atrás de mim comentou com um amigo: “Puta merda, não conhecia essa banda não. É daqui?! Que som da Porra”. Entre outros comentários que ouvi, sempre com muita admiração. Por já conhecer o som do Burro Morto, deixei um pouco de lado crítico e exerci meu lado fã. Dancei e vibrei, não há como ficar parado quando o Burro Morto toca. Engraçadíssimo o comentário de um cara que ouvi no fim do show: “Meu irmão, depois que o burro ta morto, em casa de corno a gente dança é nu!!!”.
Pra encerrar a noite Cabruêra, tocando em casa consagrada pelo público da sua terra. Fizeram o som regional de sempre. Embolada, batucada, swingado e gostoso som de sempre. Encerraram com uma musica inédita que sairá em breve no novo disco pra alegria de quem chegou ao fim do segundo dia de show do festival mundo. Pra lavar, e encerrar bem.
Muito trabalho, poucas horas de sono. Fui pra casa porque ali o serviço já havia acabado e foi muito bem feito. Obrigado.
Festival Mundo 2008 - Primeira Noite
Para abrir a noite, a banda Outona. Com pouquíssimo tempo de divulgação e uma demo muito bem divulgada na internet, pra muita gente foi uma surpresa a escalação dessa banda para o festival. Eles já haviam mostrado um material muito bem gravado, através da internet, e já haviam tocado na cidade, o show no festival Mundo foi só a prova de que a Outona tem trabalhado muito para mostrar um som de qualidade. Mesmo com o publico reduzido (mal de ser a primeira banda) quem viu, conseguiu vibrar e acompanhar a banda.
Para a terceira banda descem três do palco e sobem dois, é a Calistoga que tem dois componentes que também fazem parte da Camarones. Mas a idéia ali contida, já é outra. Dante pega muito mais firme quando se trata da Calistoga. Uma pancada atrás da outra, eles misturam toda a influencia que eles claramente trazem de At The Drive-In. Gritos se misturam com nuances belíssimas na guitarra. Comprei imediatamente o CD dos caras, pra saber se a estiga em estúdio seria a mesma, após escutar em casa descobri que a energia é a mesma. São quatro caras descendo as palhetas e baquetadas pra todo mundo que tava na platéia ficar alucinada. Fiquei ainda matutando se iria elogiar ou não a cover de At the Dirve-In, porque cover eu meio que viro a cara em um festival, mas va lá. Não é qualquer banda que tira uma cover da pré Mars Volta sem titubear, ficou impressionantemente boa. Gritei horrores.
Um pouco de demora para entrar a quarta banda da noite, mas tudo bem o festival tinha um telão armado na área do bar, para a mostra áudio-visual. Documentários sobre a cena de João Pessoa na década de 90 foram o ponto máximo para mim. Muito moleque que nem sabia o que era aquilo de boca aberta assistindo a sessão. O Mundo se encarregou de entreter o pessoal com muita boa informação entre uma banda e outra.
Sobe no Palco a Star 61. Eu sabia que havia muita expectativa ha cerca do Show do Cabaré, porque o show deles é muito elogiada lá fora. Mas dentro de mim eu pensava: “A crítica ainda não conhece a fundo o nosso Flaviano”. Na frente do Star 61 ele pinta e borda, dança, se esgoela, pega a guitarra e da tudo de si numa performance “Bowieniana”. Foi difícil para Marvel se agüentar dentro do camarim, aquilo era quase uma provocação. De tão provocado o rapaz saiu e foi ter com o Flaviano, e os dois em cima no palco se casaram, com direito a beijo dado por Flaviano em Marvel. A apresentação conjunta rendeu o delírio do público que pediu “Tra-tra-tra” e Flaviano solícito deu. E Deu um strip na parede, distribuiu beijos pela platéia, subiu de volta no palco pra se acabar de vez. Sem dúvidas foi o ápice para o público e deixou o Cabaré na situação de ter de transformar o Galpão 14 em um verdadeiro puteiro, já que o puto (no melhor sentindo da palavra) do Flaviano já havia deixado aquilo tudo um cabaré muito maior do que poderia se imaginar. Não é por nada não, mas nós temos a figura mais escrachada do rock nacional e ele nos ama e nos o amamos e não há nada que apague esse fogo. Nem mesmo Guaraná gelado.
Então, que venha a Cabaré. A penúltima banda da primeira noite do festival Mundo, tinha a difícil missão de manter o gás do público as 01h30min da madruga depois do show do Star 61. A missão era difícil em minha opinião, mas os caras subiram com toda a força que havia pra dar. O Marvel tem uma voz potente, um estilo forte, e muita presença dentro e fora do palco também, pois ele desceu e também abraçou todo mundo que podia. E a banda inteira acompanha, além de ter um lado sexy, provocante, indiferente as opiniões, totalmente Glam, com plumas, cachecóis, calças e camisas tiradas da era disco, para um rock direto e muito belo. Com a participação de Carolina Morena, uma das organizadoras do festival, Marvel cantando o refrão, “dentro de você nada melhor do que eu”, muito boa a musica, a performance e o profissionalismo dos caras. Ainda participou do show da Cabaré Flaviano do Star 61, devolvendo os momentos belos que Marvel lhe proporcionou, além de uma dúzia de posições sexuais, devidamente não ensaiadas e feitas da forma mais escrachada possível.
Já eram 2:40 da manhã quando entrou no palco a Macaco Bong, a sexta e mais esperada por mim daquela primeira noite. Nos primeiros riffs já coloquei minha orelha em pé, sabia que era instrumental e por isso mesmo fiz questão de não ouvir nada deles antes do show, ainda cheguei a escutar uma ou duas coisas, mas queria mesmo era sentir a vibe do ao vivo, pra saber se me convencia. Se convenceu?! Foi uma das melhores bandas que já vi e ouvi ao vivo, foi simplesmente uma coletânea dos momentos instrumentais das melhores bandas que já escutei na vida. Tinha uma pegada alternativa, melódica, pesada e certas vezes contrastando com as melodias leves e suaves que o Macaco Bong consegue mesclar.Não o que se falar de letras, pois não existem, mas as melodias foram poesias para mim. Não to falando de musica erudita não, nem de musica clássica. A Macaco Bong é simplesmente a banda instrumental de rock mais despretensiosa que já ouvi, e talvez por isso mesmo a mais simples. É justamente o sentimento e que menos é mais. Não consegui contar quantas notas por segundo Bruno Kayapy conseguia tocar, mesmo porque não eram muitas, ao mesmo tempo em que não consegui contar quantas melodias e sons pude perceber e despertar em minha mente no show da MacacoBong, mesmo porque eram inúmeras.
Eu sabia que não seria um show para muitos, não é todo mundo que consegue acompanhar musica instrumental, ainda mais quase as 04h00min da manhã, mas com certeza me senti um privilegiado por ter permanecido até o final. Quem não ficou perdeu a possibilidade de sentir o que senti ao chegar em casa com o dia raiando e ainda escutando melodias incríveis que ficaram na minha mente após o show do Macaco Bong.
Deitei e dormi, pois já era a manhã do segundo dia de festival Mundo, e ainda haveria debates, oficina e sete bandas para por pra movimentar.
